Muito bem, vou postar a resenha de uma amiga sobre a edição do Rio de Janeiro do TIM FESTIVAL e a passagem da cantora Björk pelo Brasil em sua turnê “VOLTA”. Apesar de já ter se passado quase um mês do evento, hoje é 21 de novembro, aniversário da cantora, portanto muito justa a homenagem! = )
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MARINA DA GLÓRIA FICA IMANTADA POR BELAS VOZES
por Maria Elisa de Macedo
Tim Festival 2007. Marina da Glória, Rio de Janeiro. Depois de dias chuvosos, o Rio de Janeiro abre o céu e os ouvidos para o Tim Festival. E lá podia se ver de tudo. Lugar de encher não só os ouvidos…os olhos também agradeceram. Faltavam alguns instantes para o primeiro show no palco Volta, que iria receber em poucos minutos a cantora Bjork. Mas antes, Antony and The Johnsons abriria o show da tão esperada islandesa.
Dentro da enorme tenda montada na “vila” do Tim Festival, via-se de tudo: desde de meninas vestidas e maquiadas como a diva esquimó a jovens e senhores descolados. Antony adentra ao palco e é ovacionado pela platéia, que responde calorosamente ao anúncio da primeira canção. Genuinamente melancólico, o músico mostra porque é tão aclamado, revelando uma voz potente e limpa nada diferente do compact disc. Uma simplória, mas não menos bela, orquestra de cordas acompanha o piano de Antony. Os The Johnsons seguem o ritmo calmo,belo e triste do diferente cantor Antony Hegarty, que encantou Lou Reed em meados dos 90.
Björk (en)canta, grita e surpreende mais uma vez
Você imagina “Hyperballad” bem eletrônica? Não? Pois bem, foi assim que ela foi executada no primeiro show da Bjork no Tim Festival 2007. A música começa e logo o público faz com que não se ouça a voz da cantora, que notadamente se alegra com a reação dos milhares de espectadores emocionados. Na mesma levada de praxe a canção de Fireworks vai crescendo até fazer a Marina da Glória tremer. Imagino que a extensa fila que já se formava para o próximo show – do Artic Monkeys sentiu que aquilo não era brincadeira e devem provavelmente terem visto “faíscas” saindo dali dentro.
E todo foi na medida. O espetáculo já começa com o palco, onde flâmulas gigantes com desenhos de animais estavam penduradas. De repente uma banda de metais, quase um exército de loiros com bandeirolas vermelhas nas cabeças entram em cortejo. Wonderbass, nome do grupo, segue tocando seus instrumentos de sopro e se posicionam devidamente no palco. O público já não se segura e sabe que aí tem. E tem! Bjork entra triunfal em uma roupa bufante dourada e num pique que logo se reflete nos gritos da platéia. Três telões espalhados pela tenda, exibem a performance dos dois produtores eletrônicos que integram a trupe da cantora – imagens do Reactable foram um show à parte, já que diferentes objetos são movimentados sobre uma mesa luminosa – uma espécie de sintetizador sem teclas. A cada movimento surge belas animações e desenhos na superfície da mesa, isso, graças a uma câmera e um monitor colocados sob ela.
Bjork não se cansou. Andava de um lado para o outro, pulou, fazia passos ritmados e sem nenhuma pretensão. Volta foi o disco da carreira mais executado na apresentação, já não mais chuvosa do Rio de Janeiro. “Earth Intruders” abriu a noite e o público já foi ao delírio. Vespertine (2001) também foi lembrado com a canção “Pagan Poetry”. A islandesa não deixou de fora canções do Post (1995), Homogenic (1997) e Medula (2004), levando o público ao delírio, transformando o lugar numa miscelânea de Meca e pista de dança. Finda-se o espetáculo. Quase duas horas depois ela se despede em um sonoro Adeus carregado de sotaque. Volta já se transformou em um pedido de bis, em que é acatado de forma inebriante: “Viva la revolucion”, gritou Bjork, declarando independência na contagiante música “Declare Independence” do cd Volta. A mini orquestra voltou junto e não se conteve ao dançar freneticamente. Era energia pura. Bjork sugou tudo de todos. Ainda bem!
